Caraúbas-PB, quarta-feira, 16 de agosto de 2017. Amigos online 22

História da Cidade



Sua história começou na primeira metade do século XIX, sua criação proporcionou-se no dia 29 de abril de 1994, sendo sua instalação no dia 01 de janeiro de 1997.

Até meados do século XVII, o território era ocupado pela grande família dos índios Cariris, a qual deu origem ao nome de toda a região fisiográfica.

 Ainda no mesmo século, os alferes Custódio Alves Martins, morador da Capitania de Pernambuco, descobriu algumas terras na cabeceira do Rio Paraíba, e ali fundou um sítio a que deu o nome de Caraúbas.

Caraúbas, vocábulo indígena que na língua Tupi significa fruto de casca negra, fruto de árvore de grande porte, da família das Bignoniáceas, existentes em grandes quantidades nas margens do rio Paraíba; próximas a um poço natural denominado de Cangati, onde, em 1663 passaram os primeiros bandeirantes vindos da Bahia.

Devida à existência do poço, local ideal para fundação de uma fazenda, à margem direita, que logo foi se desenvolvendo e com o passar do tempo destacando-se ante as demais.

Na década de 1750 foi construída uma igrejinha dedicada a Nossa Senhora do Rosário, o que deu mais impulso ao crescimento do povoado que surgia. Mas 1856, a igrejinha do Rosário tornou-se também cemitério, devido à ocorrência da cólera; isso forçou a reconstrução de outra capela, de São Pedro, passando a parti daí esse ser o nosso Padroeiro.

Outros ciclos econômicos aconteceram em Caraúbas, como: o algodão, no início do século XIX; o caroá, década de 1940; o carvão, anos de 1950-60. Atualmente não existe um ciclo definido, mas a participação, ainda, da pecuária e da agricultura; o surgimento de outros itens como gêneros hortifrutigranjeiros e de calcário.

Caraúbas também participou de momentos difíceis como a seca de 1877, registrado na ampliação da igreja de São Pedro, e na passagem de cangaceiros em 1911, registrada na construção da igrejinha de São Sebastião, a 2 Km ao Sul da sede do Município. Comunidade dinâmica e, em matéria de religião, outra capela foi construída em 1816 em homenagem a São Pedro.

Segundo Horácio de Almeida em “O Brejo de Areia” (1958: p. 125) a cólera chegou a Paraíba, pela primeira vez em fevereiro de 1855, vindo do rio São Francisco, atingiu primeiramente a Comarca de São João do Cariri, descendo pelo rio Paraíba fez 80 vítimas na povoação de Monteiro. Descendo a cólera pelo rio Paraíba, naturalmente atingiu Caraúbas contaminando a princípio o poço Cangati, principal fonte de abastecimento d’água da comunidade, morrendo muitos caraubenses sendo, os populares enterrados clandestinamente pelos campos, enquanto os cidadãos de representatividade eram sepultados na igreja de Nossa Senhora do Rosário.

A igreja do Rosário transformada em cemitério condicionou as atividades religiosas a serem ministradas na capela de São Pedro que havia sido erguida em 1816. Após a ampliação dessa capela e a construção de um cemitério ao lado, São Pedro passou a ser o novo padroeiro de Caraúbas. Sendo concluída a reforma (nave central) em 1864.

Poucos anos após a calamidade da cólera, Caraúbas sofreu outro flagelo, a seca de 1877, que segundo a Paraíba nos 500 anos do Brasil Volume I (200: p. 90) “foi a maior catástrofe ocorrida no nordeste brasileiro onde a região perdeu mais de meio milhão de habitantes”. Em reverência a essa catástrofe os cristãos caraubenses uniram-se e reampliaram a igreja de São Pedro; construíram um corredor com um couro e dois sinos, essa reforma foi concluída em 1895.

“Não há coronel sem terra nem terra sem coronel”. Essa era uma recíproca verdadeira do início do século XVIII à primeira metade do século XX, especialmente no Nordeste brasileiro. Eram títulos de nobrezas vendidos ou doados a cidadãos abastados.

Política e economicamente, majores,... e coronéis eram os representantes de cada fazenda, engenho, vila ou cidade; uma vez que era deles a compra de algodão, de peles, a veda de combustíveis, de secos e molhados, o controle dos eleitores, o domínio dos cartórios etc; tinham jagunços atuando na reprodução de seus bens e na defesa de seus corpos, uma vez que eram cercados de inimigos pessoais e políticos.

Em Caraúbas não foi diferente. Consideramos como autênticos representantes do coronelismo em Caraúbas: Luís de Farias Castro, o coronel Serveliano e os majores Higino e Ivo de Farias Castro, e o major Eduardo Ferreira. Houve outros homens que, mesmo não sendo agraciados com esses títulos de nobreza, foram nomes de destaque pelo desempenho de funções de suma importância para o desenvolvimento de Caraúbas; entre outros podemos citar: o cônego Bandeira, Pedoca Farias,... e Aguinelo Correia.

Em matéria de educação, Horácio de Almeida em Brejo de Areia (1958: p. 231) diz que se preciso fosse, os coronéis “iam ao sacrifício pelo orgulho de ver um padre ou um doutor na família”.

A educação oficial em Caraúbas foi instituída na década de 1920, através da criação de uma portaria de professora confiada a Henriqueta Danda Aragão; nessa década surgi também uma escola paroquial. Sendo assim, esses educandários foram a base instrucional de vários caraubenses que seguiram carreira nos estudos, como exemplo: Mauro Farias e José Danda, médicos; José Jordão e Auxiliadora Jordão, economistas; Zélia Jordão, letras; Fernando Valença, advogado, entre outros nomes de destaque no pioneirismo educacional de êxito. Atualmente Caraúbas conta com dezenas de filhos seus formados e formandos, em diferentes cursos e áreas educacionais.

Transformações radicais vinham surgindo em Caraúbas, especialmente a partir da década de 1920. Em 1929 o major Eduardo trouxe o primeiro automóvel para Caraúbas, prenunciando a substituição dos tropeiros pelo caminhão. Em 1931, o mesmo major instalou um terminal de telégrafo em Caraúbas, o telégrafo oficial só viria em 1948. Em 1938 Genésio instalou o primeiro rádio caraubense, a bateria. Com a chegada do cônego Bandeira, 1940 várias escolas paroquiais foram fundadas, Paróquia de São Pedro que abrangia (e abrange) Caraúbas, Congo e Barra de São Miguel.

A sede da vila de Caraúbas ganhou novas construções como: um novo cemitério, o casarão do major Eduardo, o chalé do major Higino... e duas calçadas de pedras, na rua principal. Em 1952 foi instalada a iluminação pública e construído o primeiro grupo escolar, em 1953 foi construído o açude dos Campos, pelo DNOCS. Essa atmosfera transformadora estava contextualizada às causas e os efeitos da segunda Guerra Mundial, guerra que Caraúbas inevitavelmente também participou, não só sofrendo os efeitos político-econômicos provocados, com também contribuindo com material humano disponível à guerra. Dos sete caraubenses recrutados, Inácio Ventura de Sousa e Luís Tenório Leão foram à Itália, o primeiro voltou ileso, o segundo, porém, morreu em batalha.

Surgindo a partir de uma fazenda, Caraúbas teve com primeiro ciclo econômico o gado, subsidiário do ciclo do açúcar na Zona da Mata nordestina; o segundo ciclo caraubense foi o algodão; o terceiro foi o caroá que era utilizado na confecção de roupas, cordas e estopas. Nos últimos anos da década de 1950 surgiu outro produto econômico de Caraúbas – o carvão. Como a Petrobrás, criada em 1953 e a usina hidrelétrica de Paulo Afonso, inaugurada em 1955, eram recentes, os centros urbanos usavam bastante carvão e lenha com fontes energéticas.

Porém, a partir de 1968, Caraúbas passou a fazer parte do poder executivo do Município de São João do Cariri; hegemonia mantida até sua emancipação política, em 1924. Em 1969 foi criado um curso ginasial em Caraúbas, embrião do atual Colégio Estadual Coronel Serveliano de Farias Castro; em 1971 foi inaugurado o sistema de energia hidrelétrica, a criação de um posto médico... em 1985 foi inaugurado o sistema de abastecimento de água e esgoto da CAGEPA, construído o açude publico de Curimatães a construção de módulo esportivo e a criação de um posto de telecomunicações TELPA.

O Município de Caraúbas foi criado pela Lei Estadual n.º 5.932/94. Sendo comemorada sua emancipação política em 5 de maio. Caraúbas é atualmente, um Município com 438 Km², uma população de 3899hab. (censo IBGE’2010), tendo 14 escolas da rede municipal incluindo a Creche São Pedro.

Hoje Caraúbas é um Município com possibilidades de explorar o turismo por ter: casario antigo, igrejinha de Nossa Senhora do Rosário construída na década de 1750, a matriz de São Pedro marco de passagem de cangaceiros registrada na igrejinha de São Sebastião a 2 km da sede do Município; linda paisagem natural nas margens do rio Paraíba, junto a cidade, inclusive com um bosque remanescente de Caraúbas (caibreiras) multicentenários.